Entenda os motivos que tornam o coletor menstrual mais seguro para sua saúde e mais sustentável

Ao utilizar o coletor você reduz sua produção de resíduos e evita o contato com substâncias químicas nocivas que podem ser prejudiciais para sua saúde íntima

coletor menstrual

Um dos pilares do consumo sustentável é a redução da produção de lixo. Repensar nossa geração de resíduos e mudar hábitos para minimizá-la é um bom meio de começar a adotar uma postura ecológica (saiba como reduzir os resíduos que vão para o lixo comum aqui). Contudo, alguns resíduos parecem ser inevitáveis. Um produto que faz parte da higiene íntima feminina e que acompanha as mulheres por todo seu ciclo reprodutivo são os absorventes descartáveis.

Todos os meses os corpos femininos se preparam para a fertilização. Quando ela não ocorre, o endométrio se desprende e há a eliminação do revestimento interno do útero. O conteúdo do fluxo menstrual é composto por sangue e tecido interior uterino. A mulher não tem controle dessa eliminação e, por isso, precisam ser utilizados métodos para armazenar esse líquido, de modo que ele não manche roupas ou gere desconforto. Antigamente, mulheres costuravam toalhinhas para absorver o sangue, que eram lavadas e reutilizadas. Os absorventes são uma opção descartável de processo similar.

Eles se popularizaram pela praticidade e pelo conforto, mas representam grandes danos ao meio ambiente. Como no Brasil não existe reciclagem para esse tipo de resíduo, os absorventes acabam indo parar em lixões e aterros sanitários.

Estima-se que cada mulher utilize, em média, dez absorventes descartáveis em cada ciclo menstrual, e de dez mil a 15 mil da puberdade até a menopausa.

Mas, não dá pra deixar de usar absorventes, certo?

absorventes

Errado. Existem algumas opções mais sustentáveis no mercado, que causam menos impacto no meio ambiente e possuem menos substâncias químicas nocivas, especialmente para mulheres alérgicas. Dentre elas, a mais vantajosa é o coletor menstrual.


 

O que são os coletores menstruais?


Os coletores menstruais também impedem o vazamento de sangue, contudo, funcionam de forma diferente dos absorventes tradicionais. Eles existem desde os anos 30 e consistem em um copinho que pode ser feito em silicone medicinal (atóxico e translúcido), borracha ou elastômero termoplástico de grau hospitalar que é inserido na entrada da vagina. São discretos, moldam-se ao corpo e evitam o desconforto dos absorventes comuns.

Como o nome indica, os coletores menstruais apenas coletam o fluxo menstrual, sem interferirem na umidade, no pH ou na flora local. Os coletores são incríveis para mulheres alérgicas, pois são hipoalergênicos e não contêm substâncias químicas, látex, gel, bisfenol, dioxina, cola, perfume, pesticidas ou agentes branqueadores.

O mecanismo do coletor funciona por pressão. Ele faz um vácuo e se prende às paredes vaginais. Se inseridos corretamente, não representam riscos de vazamento. De acordo com o fabricante brasileiro InCiclo, os coletores podem ser utilizados por até 12 horas. Respeitando o tempo de troca, você também pode dormir com seu coletor. Depois é só retirar, lavar e usar novamente.

Mulheres com fluxo intenso também podem utilizar os coletores, o que pode mudar é apenas o intervalo da higiene. Não é necessário retirá-lo para urinar ou evacuar. Além de ser uma escolha sustentável, os coletores oferecem praticidade, conforto e economia.  É perfeito para todos os esportes e atividades físicas, mesmo por mulheres com bastante fluxo. Seja ioga, ciclismo, dança, acrobacia, escalada, esportes radicais, natação, ginástica, corrida, mergulho, entre outros. Outro fator a ser considerado é  que, como não há contato com o ar, não ocorre a proliferação de bactérias que geram odores.

Os coletores menstruais em comparação com os absorventes

Pensar que eles são similares a absorventes internos é uma conclusão errônea. Apesar de ambos serem inseridos na vagina, eles são posicionados em alturas diferentes e possuem mecanismos completamente distintos.

coletor anatomia absorvente interno altura

O absorvente interno absorve não somente o fluxo menstrual, como também a umidade natural do local,  podendo ocasionar ressecamentos (35% do que é absorvido é umidade do corpo e não sangue). Com a região ressecada, o algodão atrita com o interior da vagina e pode causar irritação.

Absorventes internos estão associados a perigosa síndrome do choque tóxico (saiba mais sobre ela aqui). Já o copo menstrual apenas retém o fluxo, não ressecando nem abafando a vagina, como fazem tampões e absorventes descartáveis. Isso ajuda a diminuir o risco de infecções, pois inibe o crescimento de fungos e bactérias.

O coletor menstrual pode armazenar cerca de três vezes mais conteúdo que absorventes internos de alta absorção e precisa ser trocado com menos frequência. Dependendo do volume de fluxo, ele pode ser esvaziado a cada oito ou até 12 horas, oferecendo mais tempo de proteção e conforto. Dependendo da adaptação ao uso, ele pode ser mais seguro que os absorventes convencionais em relação a vazamentos. Se ele está aberto e no lugar correto, estará vedando toda a passagem do fluxo.

Absorventes tradicionais podem ocasionar uma série de alergias, seja pelas diversas substâncias químicas que possuem, pelo abafamento da região ou pelo contato direto com a pele. Já os coletores menstruais não ocasionam esses problemas por serem atóxicos e não alterarem as condições fisiológicas da região, como umidade, pH, flora vaginal e ventilação.

O coletor menstrual InCiclo é feito de silicone medicinal. O material  vem sendo amplamente usado na área da saúde por não causar reações no corpo, ser biocompatível e de fácil higienização. O silicone não funciona como um meio de cultura para bactérias como os absorventes internos, não irrita a pele como os externos e nenhuma substância se desprende do coletor e passa para o corpo. A durabilidade do silicone é muito grande. A validade do produto depende de diversos fatores tais como: frequência e modo de higienização, pH vaginal e produtos de limpeza utilizados.

Como colocar

O método é muito diferente e por isso requer paciência na adaptação. É natural demorar até quatro ciclos para se adaptar, então de inicio você pode utilizar em conjunto um absorvente externo para se sentir mais segura. Se depois desse tempo você descobrir que não é para você, não tem problema. Outra opção menos invasiva, que também é reutilizável, é o absorvente de pano.

Culturalmente, mulheres não são estimuladas a conhecer o próprio corpo. Para inserir o coletor, a mulher é obrigada a conhecer sua anatomia e se tocar. De inicio, isso pode gerar desconforto e estranhamento para muitas mulheres, mas é preciso entender que a menstruação faz parte de um processo natural e não é nojenta. Contrário do que possa se pensar, o coletor menstrual é mais higiênico do que absorventes comuns, por não expor o sangue ao contato com o oxigênio, o que ocasiona odores.

O coletor precisa estar inserido na altura correta, abrir-se completamente para gerar o vácuo e assim vedar a passagem de sangue. Para inseri-lo na cavidade, podem ser realizadas diferentes dobras e a ideal será a que você melhor se adaptar. Se você tem o ciclo bem regulado poderá colocar o coletor antes mesmo de menstruar.

modo de usar coletor

Antes de colocar o coletor é muito importante lavar as mãos com sabão e garantir que o coletor esteja bem limpinho. Lembre-se de enxaguar muito bem, porque sabão no canal vaginal pode causar infecções.

É normal ficar nervosa na primeira vez que for testar o coletor, mas é importante tentar se manter relaxada e não tensionar os músculos da pélvis. Caso perceba que está fazendo isso, é melhor relaxar e tentar um pouco depois. Inserir com tensão pode acabar sendo doloroso e dificultar todo o processo. Procure uma posição confortável, na qual você se sinta relaxada. Pode ser em pé, agachada, sentada no vaso sanitário, etc. Faça a dobra e insira o coletor dobrado. Após colocar, enfie o dedo e sinta a borda do copinho tentando perceber se ele está completamente aberto. Se  ele não estiver aberto, você pode tentar abrir o coletor manualmente.

coletor menstrual

Alguns coletores possuem uma espécie de cabinho, outros uma bolinha ou argola, para facilitar o manuseio e a retirada. O InCiclo possui um cabinho, mas em caso de incômodo ele pode e deve ser cortado para melhor se adaptar ao corpo feminino.

Confira no vídeo o jeito certo de inserir e retirar seu coletor.

Como retirar e limpar

O vácuo deve ser removido para esvaziar o coletor, pois caso contrário a retirada pode ser um pouco dolorosa. Utilize a força da musculatura vaginal para empurrar o coletor para baixo e depois aperte o copinho para eliminar a pressão. Se você tiver posicionado o coletor mais perto do colo do útero, pode ser difícil removê-lo. É importante relaxar, procurar instruções no manual e tentar retirá-lo com calma para não se machucar.

Esvazie o conteúdo no vaso sanitário, lave com água e sabão neutro e insira novamente. Esse processo deve ser feito de acordo com a intensidade de seu fluxo menstrual, mas em média de faz necessário de duas a três vezes ao dia. Se você tiver que esvaziá-lo em um banheiro público, pode limpar apenas com papel higiênico, lenços umedecidos ou com auxilio de uma garrafinha com água. Na próxima troca, faça uma higiene mais cuidadosa com água e sabão.

Ao final de cada ciclo, é recomendado fervê-lo por cinco minutos. Não se deve usar panelas de alumínio ou teflon, pois elas soltam substâncias metálicas que podem danificar o silicone. Você pode utilizar uma panelinha de ágata ou higienizá-lo no micro-ondas usando recipientes para esterilizar chupetas e mamadeiras no vapor. Não use produtos que podem danificar ou aumentar o risco e irritação, como vinagre, desinfetante, sabão de máquina de lavar louça, álcool, etc.

O fabricante InCiclo recomenda que o coletor seja trocado a cada dois ou três anos, mas cada consumidora pode decidir quando trocar seu InCiclo de acordo com seu estado.  Basta conferir se não há sinais de deterioração como alteração da cor, se está pegajoso, se tem odor ou partes quebradiças. Ele pode durar até 10 anos.

Como escolher o tamanho

Escolher o tamanho de coletor adequado é fundamental para prevenir vazamentos. Nem o peso, nem a quantidade de fluxo interferem na escolha do modelo. Mulheres com fluxo intenso, provavelmente farão a limpeza com intervalo menor. A escolha do tamanho é feita de acordo com a tonicidade do assoalho pélvico. A  tonicidade e elasticidade naturalmente diminui com a idade e após a gestação. Mulheres que já fizeram cirurgia íntima ou que têm os músculos extremamente fortalecidos por causa de exercícios de kegel, comuns nas atividades físicas como ioga, pilates e pompoarismo, podem ter maior tonicidade independente da idade.

O coletor InCiclo é confeccionado em dois tamanhos. O tamanho A tem 4,4 cm de diâmetro e o B tem 4,2 cm. A altura dos dois é a mesma, 7,2 com a haste (que tem 1,6 cm, mas pode ser cortada, conforme as orientações do manual de instruções). A capacidade é de aproximadamente 30 ml. O modelo A normalmente é recomendado para mulheres acima de 30 anos ou que tiveram filhos (independente do tipo de parto).  Contudo, mulheres com essas características também podem se adaptar ao modelo B, por possuírem maior tonicidade devido a exercícios ou cirurgia. De forma geral, mais tonicidade, coletor menor (B); menor tonicidade, coletor maior (A). Mas essa é uma questão muito particular e varia de mulher para mulher.

Colocando na ponta do lápis, o coletor menstrual se torna econômico também para o bolso. Você deixa de gastar todos os meses com absorventes descartáveis e poupa o meio ambiente. Nem todas as mulheres se adaptam ao coletor, algumas sentem cólicas por conta da pressão e outras não conseguem colocá-lo corretamente, ocasionando vazamentos. Embora de inicio a  adaptação seja complicada, com o tempo você fará o processo em segundos. Pela economia financeira, pelo aspecto ecológico, ou para evitar substâncias químicas alergênicas, com certeza vale vencer o preconceito e testar o coletor.

Gostou? Quer adquiri-lo? Então clique aqui.


 


Fontes: InCiclo, Doutíssima, Brasil Post


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