Obesidade e desnutrição geram perdas de bilhões de dólares no México, Equador e Chile

As implicações para o futuro dos países são aterradoras

Obesidade

O impacto combinado da desnutrição e do sobrepeso/obesidade, também conhecido como “a carga dupla da má nutrição”, contribui com a perda de bilhões de dólares na economia latino-americana, de acordo com um relatório lançado em 24 de abril pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) e pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

O estudo “O custo da carga dupla da má nutrição: impacto social e econômico” revela que a má nutrição - que engloba tanto a desnutrição quanto o sobrepeso/obesidade - tem impactos significativos e negativos nas taxas de doenças e mortalidade, nos resultados educacionais e na produtividade e, portanto, traz graves consequências econômicas para indivíduos, comunidades e nações.

De acordo com o relatório, o Produto Interno Bruto (PIB) em cada país diminui a cada ano, como resultado da perda de produtividade causada por essa carga dupla. As perdas estão estimadas em 500 milhões de dólares no Chile, 4,3 bilhões de dólares no Equador e 28,8 bilhões de dólares no México, o que representa, respectivamente, 0,2%, 4,3% e 2,3% de perda no PIB.

“Durante a última década, muitos países de renda média fizeram grandes avanços na redução da desnutrição. Porém, o problema persiste, e agora presenciamos uma tendência preocupante entre as comunidades vulneráveis, com casos de desnutrição e sobrepeso simultaneamente nas mesmas famílias”, disse o diretor regional do PMA, Miguel Barreto.

“Tanto a desnutrição quanto o sobrepeso representam um problema muito sério para a saúde dessas famílias, que eventualmente resulta na perda da produtividade e em pressões sobre os sistemas de saúde e educação no país onde vivem”, falou Barreto.

O estudo “O custo da carga dupla da má nutrição” é o resultado de uma associação entre a CEPAL e o PMA para calcular as perdas na produtividade, na saúde e na educação no Chile, no Equador e no México. A CEPAL e o PMA ampliaram a metodologia do estudo “O Custo da Fome” (desenvolvido em 2007) para incluir a dimensão do sobrepeso e da obesidade. As pesquisas para “O Custo da Fome” foram realizadas em 11 países da região e em mais de 15 países da África.

“A carga dupla da má nutrição afeta, de modo crescente, a população pobre e vulnerável, convertendo-se, assim, em mais um fator da desigualdade vigente em nossa região”, afirmou a secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena.

“No contexto atual, de desaceleração econômica, é mais importante que nunca que os países façam todos os esforços para alcançar um novo paradigma nos modos de produção e de consumo, que são a chave para a implementação da Agenda de 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, enfatizou Bárcena.

A desnutrição e o sobrepeso/obesidade são “duas caras da mesma moeda” da má nutrição e, juntos, impõem uma “carga dupla” aos países e às pessoas, de acordo com o estudo. Enquanto a desnutrição afeta o crescimento físico e prejudica o desenvolvimento do cérebro, o sobrepeso e a obesidade podem levar a doenças não transmissíveis, como a diabetes tipo 2, a hipertensão e o câncer. Ambos impedem o desenvolvimento dos indivíduos, o bem-estar das comunidades e o objetivo de alcançar a Fome Zero até o ano de 2030.

As implicações para o futuro dos países são aterradoras. Segundo o estudo, a desnutrição está diminuindo. No entanto, espera-se que a sobrealimentação se torne a maior carga social e econômica da América Latina. De 2014 a 2078, projeta-se que o sobrepeso e a obesidade terão um custo estimado de 1 bilhão de dólares no Chile, 3 bilhões de dólares no Equador e 13 bilhões de dólares no México, por ano.

O estudo recomenda medidas para mitigar o problema: os governos devem promover a educação alimentar do consumidor por meio de políticas públicas claras e iniciativas para assegurar uma rotulação confiável para os alimentos, programas de atividades físicas, e o apoio a programas de educação nutricional nas comunidades.

O estudo convida a indústria alimentícia a trabalhar com os governos para garantir a produção, a distribuição e a acessibilidade a produtos saudáveis, e para desempenhar um papel positivo e responsável na educação do consumidor em alternativas de alimentos saudáveis.

É possível baixar informações sobre o estudo clicando no link: “El costo de la doble carga de la malnutrición“. Disponível em espanhol.


Fonte: ONUBR

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