Sem querer, pesquisadora descobre que espécie comum de lagarta pode biodegradar sacolas plásticas

Hipótese é de que enzimas presentes nas larvas ou nas bactérias presentes em seus interiores sejam capazes de biodegradar plástico por já serem adaptadas a digerirem cera de abelha

lagarta

Às vezes a solução para problemas complicados pode estar bem debaixo do seu nariz. Cientistas descobriram que uma lagarta comum (as larvas da mariposa Galleria mellonella) são capazes de comerem polietileno, o tipo de plástico tipicamente usado para fazer sacolas de compras descartáveis, relata o site Phys.org.

É uma descoberta notável, que poderia oferecer uma maneira plausível de biodegradar uma quantidade substancial de poluição plástica jogada em aterros e oceanos ao redor do mundo a cada minuto.

Lagartas da espécie Galleria mellonella são mais comumente chamadas de "traças grandes da cera" porque vivem fora de sua fase larval como parasitas em colmeias, onde consomem cera de abelhas. Elas são extremamente difundidas e representam uma praga substancial para abelhas e apicultores em toda a Europa. Ninguém tinha considerado que a adaptação que permite a esses bichinhos estranhos fazerem a digestão da cera de abelha também poderia ser aplicada ao plástico... Não até um encontro casual entre a apicultora amadora (e cientista em tempo integral do Instituto de Biomedicina e Biotecnologia da Cantabria, na Espanha) Federica Bertocchini e as larvinhas.

Bertocchini estava tentando se livrar dos vermes de cera que haviam infestado suas colmeias, colocando-os em sacolas plásticas. Então ela começou a notar que as sacolas rapidamente ficavam cheias de buracos. Depois de mais uma inspeção, ficou claro que os buracos não eram apenas o resultado das lagartas tentando mastigar seu caminho para a liberdade. Eles estavam as consumindo.

A pesquisadora montou uma equipe de para investigar mais e descobriu que os sacos de compras de plástico se degradavam rapidamente mesmo quando as lagartas estavam esmagadas e manchadas pelo material, indicando que os insetos ou suas bactérias intestinais provavelmente estavam produzindo algum tipo de enzima que quebraria o plástico.

"Se uma única enzima é responsável por esse processo químico, sua reprodução em grande escala usando métodos biotecnológicos deve ser viável", explicou Paolo Bombelli, primeiro autor do estudo publicado na revista Current Biology. "Essa descoberta poderia ser uma ferramenta importante para ajudar a lidar com os resíduos do plástico de polietileno acumulados em aterros sanitários e oceanos."

O problema da poluição não pode ser subestimado. Pessoas em todo o mundo usam cerca de um trilhão de sacos plásticos a cada ano e, uma vez que o plástico não se degrada facilmente, todo esse lixo permanece no ambiente.Que os vermes de cera são capazes de biodegradar plástico é provavelmente um dos acidentes felizes da natureza. Embora os pesquisadores precisem de mais estudos para determinar exatamente como a química funciona, eles suspeitam que a digestão de cera de abelha e polietileno envolva a quebra de tipos semelhantes de ligações químicas.

"A cera é um polímero, uma espécie de 'plástico natural', e tem uma estrutura química não tão diferente do polietileno", disse Bertocchini.

Bombelli acrescenta: "A lagarta produz algo que quebra o vínculo químico, talvez em suas glândulas salivares ou nas bactérias simbióticas em seu intestino. Os próximos passos para nós será tentar identificar os processos moleculares nessa reação e ver se podemos isolar a enzima responsável".


Fontes: MNN e Phys.org

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